Engôdo Linha de Crédito
Desde que as águas baixaram, no começo de dezembro de 2008, muito se falou em ajuda financeira para os atingidos pelas cheias, mesmo o presidente anunciando uma porrada e meia de ações com a finalidade de amenizar e recuperar os estragos, muito pouco, na verdade, nada significativo tem sido feito, sim nada mesmo, se for comparado com o tamanho dos estragos.
Oras, desde o início de dezembro, por volta do dia 12, foram anunciadas várias medidas, uma delas é a liberação do FGTS, que tem sido feito de forma “burrológica”, pois ao invés de facilitar a liberação, a caixa econômica exige uma porrada de documentos e deixa a turma no sol, na chuva, isso para liberar um dinheiro que já é do trabalhador por direito.
Seriam procedimentos simples e com poucas despesas, seria simplesmente colocar na conta do trabalhador e com o cartão cidadão ele sacaria, outra forma prática, o trabalhador poderia receber na sua conta salário, e quem estivesse desempragado, aí sim, se dirigir ao banco, isso se não tivesse o cartão cidadão, mas como “é preciso fazer de conta que estão movimentando céus e terra” para entregar o dinheiro que já é do trabalhador……..
Eu nem tenho FGTS, sou micro- empresário, nas cheias fui fortemente afetado, em um dos segmentos meus equipamentos foram cobertos com água, eram equipamentos modernos e caros, o prejuízo foi total, em outro segmento, houve saque, não sobraram mercadorias e os vasilhames necessários para o transporte das mercadorias também foram levados pelos saqueadores, isso aconteceu enquanto eu estava envolvido ajudando outras pessoas, foi prejuízo total também, sem falar nos veículos, o fato é que fui afetado em cheio, um dos segmentos por vários motivos achei por bem que não deveria continuar pois não existe chances de sobrevivência no mercado, o outro segmento poderia ser o meio de subsistência meu e de minha família.
Mas desde o início de dezembro, nem um centavo sequer foi liberado a título de linha de crédito, isso mesmo, nem um centavo, se não fosse um pouco de ajuda direta recebida de pessoas que estão a milhares de quilômetros, não teria sido possível reiniciar as atividades.
Não fui pedir doação, fui pedir empréstimo anunciado, uma linha de crédito, mas a verdade é que no meu caso, já enviei os mais de 50 documentos solicitados pelo banco, mesmo a empresa não tendo nenhum impedimento, não tem nenhuma dívida federal, estadual ou municipal, e nem com nenhum banco, e mesmo assim, fazem mais de 45 dias e nenhum contato sequer, nem uma ligação para dizer o motivo da não liberação da linha de crédito, o que leva qualquer um a crer que foi feita muita publicidade em cima da catástrofe que assolou nossa cidade, mas atitudes concretas com a finalidade de recuperar pequenas empresas não consegui detectar nenhuma.
Cito isto porque falei com vários conhecidos que estão na mesma situação, a mesma resposta vem do banco do Brasil e da caixa econômica: os documentos estão sob análise, como diria o português: ora pois……..
Estão esperando o que afinal?
Nos dias atuais, para ferrar uma empresa, só precisa de um computador com acesso à internet e menos de cinco minutos são suficientes, e porque não são utilizados estes mesmos recurso para agilizar as coisas?
É obvio que assim como no caso do FGTS estão fazendo muita média com paletó alheio, ou melhor dizendo em palavras diretas: estão mentindo descaradamente, ou sabemos quanto dinheiro foi liberado em linhas de crédito, eu escrevi: linhas de crédito, não é doação não, até quando???
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